sexta-feira, 25 de novembro de 2011


me perdi em SP, as ruas subiam, desciam e não davam em nada que eu pudesse reconhecer

corri do contra- fluxo, flui na correnteza por avenidas marginais, esquinas corrompidas, meninas estilistas, de merda em pastas por aqui se escorrrega muito mais

nos jornais, sou dado, estatística, número, 6 reais, uma nota de um em canoa viaja moedas pelos ralos da cidade

cada vez que dou um passo, e surda admito meu ouvido é pinico, de plástico, lavô tá novo!

ê São Paulo, terra da garoa, terra de gente boa, ê São Paulo, terra da gangorra

ê São Paulo terra de ninguém, eu tb mordo um pedaço da sua maçã do pecado, vc não sente, mas meus dentes são firmes!

domingo, 16 de outubro de 2011

e se eu fosse aeromoça?

se pichasse os muros da cidade ou gravasse nas peles dos que esbarro, se colasse avisos de que me mudei pra outro mundo, se contasse, se cortasse, escapasse, se descolasse uma carona num super airbus desses supersônicos ainda nãoinventados, numa respiração não presa, caisse num planeta mais lúcido, com l maiúsculo de libido, de lambinda, liberdade, de lugar, de loucura com d de doçura com o de omelete pq os ossos também pedem carinho de vitamina, cuidados de astrologia, as casas arrumadas em símbolos bonitos com narrativas felizes, tomasse calmantes, guaranás, porres e pilequinhos, polenguinhos e outros vícios gostosinhos? se chegasse e falasse simplesmente o que sente e a crueza do clichê não incomodasse o sentido de quem me lê, a coisa ia ser mais fácil?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

pra temporada acontecer

http://www.sibite.com.br/Projeto/ProjetoDetalhe.aspx?IdProjeto=167

pra temporada de Mulheres de Caio acontecer em São Paulo!
tão sem jeito as coisas se arrumam
seus dedos na minha boca
meu perfume no seu cabelo

tão sem porque as coisas desandam
procuro o sono
de olhos pro lado oposto
do que era meu

no sono vejo seu rosto
e que gosto?

que gosto tem
seus dedos agora, hein?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

poesia

a beleza não está só no que é bom de ver, a dor é bonita. palavras rascunham algum sentindo em tudo o que é desordem no corpo. precisa- se de poesia. sem ela tudo é loucura podre. quando a vida perde sentido ficamos vulneráveis, inocentes, destemidos. partimos pra luta, nos vencem, caímos, levantamos. tudo para desregular esse sisteminha em seguida. e romanticamente vivemos a prometer o pulso cortado, escoamos a nossa ideia da gente na imagem do sangue jorrando da veia perfurada, se tivéssemos coragem. metaforicamente existimos na plenitude do nada, da incerteza, do medo, do mistério. mãos atadas, enroladas em múltiplas escolhas. vias ocupadas, às vezes invisíveis, escorregadias. isso dura. lucidez. esse é o estado. a poesia que não consigo escrever e quando vem a gostar de mim só faz me levar para um lugar que eu não sei qual. confio. em que pé estará minha condição de ser quem sou? que eu procure por mim sempre que me sentir perdida, que eu procure em mim sempre que estiver vazia. a poesia diria.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

animal!

o cara tava babando como um cachorro nas canelinhas da guria bronzeada e ossudinha. quase fui atropelada. em câmera lenta a gosma pingava da boca velha e torta, contornada por um bigodinho ralo e grisalho. de repente ele mexeu a língua como um lagarto faminto por uma crocante mosquinha tola dando sopa. era uma língua geogáfica e pontuda que com força furou o tempo. voltei à velocidade normal da cidade imediatamente, corri para a calçada, esbarrei no velho e quem morreu foi ele, atropelado por um caminhão!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ensaio

ok, aos 30 então é quando você assume que as coisas são o que são e podem ser boas assim, sem conformismo, nem satisfação, uma sensação que fica bem no meio disso, a palavra uma hora vem para definir ou tentar. fato é que quando olho no espelho e vejo um fio de cabelo branco ou uma ruga no canto do olho eu não tenho nada o que fazer e para que as coisas continuem andando da melhor forma, eu só preciso aceitar e seguir, adicionando esses dados da realidade/tempo na sacola das coisas normais. é normal.... a gente sempre pensa quando se assusta com a resposta do tempo que passa rápido demais! o ano voa, o dia eu nem vejo, e por aí vai e assim a gente aprende que uma hora não tem mais pra onde correr, a vala é certeza! kkkkk eu sei que não se morre só de velhice, mas o que sinto é que o cabelo branco perdeu alguma coisa de vivo e a pele enruga tb porque algumas células morrem e tudo o que quero dizer com isso é que eu sou quem eu sou até hoje e não posso perder tempo reclamando comigo sobre coisas que eu não fui capaz de fazer e coisas que eu definitivamente não posso fazer, pelo menos não nessa vida! aceito! isso não quer dizer que eu tenha parado de ambicionar autorrevoluções e quebras de padrões comportamentais, que desisti de algum sonho ou que tenho preguiça de viver, é bem mais simples! o que quero dizer e aceitar é que eu posso gostar de quem sou assim exatamente como sou hoje, ainda com 99, 9% de fios castanhos no couro cabeludo, sem ter cumprido tudo exatamente como havia planejado quando mais nova e por aí vai... vai me abrindo a noção de que tudo é fantasia e que agora basta ser e aceitar e ainda melhor é gostar disso, gostar de respoder do jeito que eu sei, de escrever do jeito que quero, de falar minhas insanidades e espalhar por aí pensamentos e sentimentos controversos a meu respeito, é bom parar com a obrigação de me dar satisfação em tudo, de dar satisfação aos outros e sobretudo de procurar indícios de certo ou errado nas minhas ações porque afinal eu gosto da vida que eu tenho, de onde moro, das minha companhias, dos lugares que visito, do que estudei, gosto dos altos e baixos da minha profissão, sou viciada nisso, e do tempo que parece livre e que vez em quando pelo espelho me dá um tapa na cara! gosto de estar suspensa no infinito e de ser responsável também por algumas inscrições na minha história. Às vezes acho que cheguei na metade da publicação do tal livro da vida. não, eu não quero morrer cedo! eu gosto de estar aqui, preciso repetir! mas é que não sei se alguém que vive assim como eu consegue vingar por muitos anos e talvez isso não importe tanto quanto antes. me satisfaz hoje olhar pra frente, mas não tão adiante e com paciência frear toda a insegurança a ansiedade e os desastres que elas provocam. em São Paulo faz frio, estou dentro de casa o dia todo e ainda nem conheço essa cidade. Amanhã, me apresento mais uma chance e amanhã vejo como me saio, se saio.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

odeio tudo o que tenho escrito
o que não tenho escrito mais ainda
não tenho para quem pedir desculpas ou pq me envergonhar
sem saída, dói

segunda-feira, 27 de junho de 2011

borboletas coloridas

-apaguei as primeiras linhas desse post, o que ficou foi por respeito ao tema do blog-
altas horas da madrugada, na sala, às vezes algumas besteiras distraem... geladeira, gelatina, gel de arnica, dor no pé. ando e ando o dia todo e só eu sei que voar seria tão melhor. um carro que quebra, uma grana que vai, um dia a mais eu fico sem chão. caminho e caminho, os dias são de corpo pra lá e pra cá. à noite a alma é que vai, o pensamento com asas. os anjos não vemos.

terça-feira, 31 de maio de 2011

planejei

Oi, apresento agora a minha prateleira de planos:
Repleta de tópicos em caixas lacradas como verdadeiras virgens.... algumas empoeiradas, outras em pior estado: mofo verde aveludado. Os sonhos mais abandonados, os do tipo que a gente acha que não são pra gente, ficam debaixo de um manto desse mofo. Tem que ter coragem para visitar de vez em quando essa enorme despensa. Ver todos os desejos colocados lado a lado numa estante suspensa na linha do horizonte, é forte. É como olhar pra dentro sem ajuda de especialistas, sem suporte do que conhecemos por amor próprio. O que mais me chama atenção? As migalhas espalhadas entre uma caixa e outra, restos, rastros, resíduos de falhas, lacunas, tempo que passa. Ah, a quantidade delas tb me assusta! As maiores e mais pesadas caixas ficam juntas num canto iluminado, escolhi uma lâmpada de cor azul. Ali estão as vontades que não mudam e portanto podem empoeirar. Sempre vai haver um último sopro....As caixinhas nervosas, as mais jovens e volúveis, vivem se esbarrando, lutando por uma vista privilegiada aos meus olhos. O que eu priorizo? Ter tudo isso guardado sim e ir consumindo ainda nessa vida tudo que eu conseguir, considerando os momentos de letargia, absolutamente genuínos, absolutamente aceitáveis. A culpa fica para outro texto. Aqui é só para remediar de alguma forma as limitações da vida real. Aliviar, burlar. Fotografar.

sábado, 21 de maio de 2011

golpe o golpe golpe o golpe que golpe? golpe é gostoso de escrever
golpe me lembra galope, me lembra um bicho arisco com medo de se fuder, antes ele do que eu!

era isso

atravessada e atrapalhada, trapezista ainda assim segura firme... altura equivalente a um prédio de inúmeros andares, atmosfera ciclônica e destino a perder dos olhos. perigo assimilado, respiração de atleta, uma gota de suor e um grito de alívio. alguém cortou a corda e o choque não durou, o choque foi. poeira.

mancha tudo, porrammm

segunda-feira, 16 de maio de 2011

se pintar de cor fraca não vence

o título parece uma dica de beleza, mas esse pensamento é o elixir da vida!
pode ser o terror dos vizinhos, dos namorados e dos parentes, pode ser que você seja alvo de crítica, pode ser que incomode, que faça cansar, suar e odiar. pode ser que não se realize como melhor amiga, madrinha, irmã, namorada, pode ser que não dê em nada, que morra afogada. condições sempre hipotéticas, planejamentos feitos para até no máximo uma hora e unhas sempre pintadas coloridas crispadas na alça da bolsa. não corre, não anda, não voa, não fica parada. flutua, escorrega nas horas e se embola em calendários caóticos. destaca páginas inteiras da sua própria vida, diz coisas que não imagina, amassa os erros com alguns poucos acertos e novamente pisa na bola de algum jeito meio sem jeito, sem querer, então sofre e chora e fica de cama. tem febre de amor e por falta de amor, tem saudade de fazer coisas que não fez, acha que vai morrer cedo, não tem dinheiro. não tem como ter dinheiro porque não sabe calcular e não pretende saber, não quer imaginar o que é a vida no diário oficial. lê jornal. caderno de cultura. devora as horas de sono para trabalhar em estado onírico. acorda cheia de soluções. às vezes apenas soluços. no tempo de um pipi vai e volta da Lua sem nenhum arranhão. questiona o mundo, mas não toma partido em quase nada, afinal acredita em tudo. tem seus pontos de vista, prefere não perder amizades por isso, se pinta uma discordância mais grave então pode ser que se arrisque. não suporta mau humor, dos ourtos! é violenta, perigosa, dirige se maquiando e gosta de batom vermelho. conversando, lendo e cantando, dirige bem melhor que o namorado. tenta contar isso a ele, mas tem o maior amor do mundo, quase como de uma mãe. não pode ter filho, ainda não tem esse direito! não tem! ficou bonito e termino assim... é de cores fortes, um borrão, é melhor isso do que não deixar marca nenhuma. é mais para os outros, é bem mais para os outros e isso não sei se é bom...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

loucura tem perdão?

terça-feira, 19 de abril de 2011

rapidinho

o bichinho tadinho tão encostado com cara de largado no meio da rua
o bichinho tadinho fica o tempo todo calado
me lembro faz tempo ele vivia correndo dos outros
fazia cara feia de bobeira uma cara feia feia
agora tadinho bichinho molinho tristinho
tá cansado arrasado acabado
no fundo dos olhos eu reconheço é aquele bichinho mesmo do começo
no começo bem antes de correr demais e acabar exausto
ele mostrava aos outros por onde ir
conhecia as ruas mais escuras os becos toda a cidade
mesmo daquele jeito tão calado sempre calado
a voz bonita mas de tão escondida engolida
ai bichinho que agonia me dá ver você morrer

quarta-feira, 30 de março de 2011

é a noite!

escuto um soluço abafado quando deito de lado no travesseiro. vem de lá de dentro. é feito coração batendo. como o som de gota d'água pingando no fundo do poço, do balde que uma hora transborda... e silencia.

mas nem tudo é tão triste!
pra aliviar a tensão e fazer a conexão:

"...as certezas de toda uma vida não raro se transformavam sob as influências melancólicas da noite e da insônia." Dostoievski em O eterno marido

segunda-feira, 28 de março de 2011

pois fico aqui parada então

eu sei o que habita o espaço caótico entre o sim e o não: é uma resposta. imprecisa, claro!
alguns acham que a indecisão é falta de coragem, mas qualquer equação solta no universo se destina a uma solução...e o medroso que não foge, se agarra ao sim ou ao não com os olhos apertados invetando logo uma escuridão. não tem pra ninguém! escolher no tempo do mesmo relógio que marca um dia com 24 horas é uma armadilha. você nunca sabe se é melhor correr ou ficar parado.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

é do Antonin Artaud!

sobre o suicídio:

"Mesmo para chegar ao estado de suicídio, devo esperar o retorno do meu eu, preciso do livre jogo de todas as articulações do meu ser. Deus me colocou no desespero como em uma constelação de impasses cuja radiação chega a mim. Eu não posso nem morrer, nem viver, nem desejar morrer ou viver. E todos os homens são como eu."

é da Cecilia Giannetti

vasculhando o livro, que mais parece um baú, Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi, encontrei essa belezinha de trecho:

"Eu me preparo para outra festa, inspecionando diante do espelho o resultado de um trabalho minucioso de mulher: unhas, cabelo, tintas pela cara toda. Irei à festa ciente de que gostarei menos de mim quando estou perto dos outros. Eles sempre me dão chances infinitas para atuar como a pessoa cheia de merda, afetada, caricatural e fleumática que sou. Eles pedem. Não sei como me aguentam, só podem estar de sacanagem."

sábado, 19 de fevereiro de 2011

últimas flores.

l´amour
la mort
la peste
comigo!
l´amour
la mort
la peste
je détèste!
....................vou mandar esse post por sedex.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

getting old

fat and short
losing bright
my religion
and my own.................................................................
....................todos os nossos operadores estão ocupados no momento.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

nudez ridícula é a que finge expor a carne crua em palavras temperadas com regras da linguagem, lavagens. nada selvagem. o que é então preciso para desnudar com coragem? coragem!
rimadinho, né? pois avisei que era ridículo e aqui está!
só mais uma palavra: crueldade.
faz sentido?

contra mim e todos os meus poderes mágicos

ingenuidade é o que trai
me
fui
escapei
e continuo cometendo
ingenuidades
que traem
me traem
fazem
me
sou
ingênua
nua
continua...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

meu machismo

o segundo sexo exige explicações que ninguém é capaz de oferecer

coladinho

vivo atravessando nua espaço com alegria todo dia a te encontrar
e se tem sorriso rapidinho eu te digo que é pra já
olha o cafezinho, quer toddynho, num descuido eu te faço um carinho
não, não posso agora
meu amor eu não demoro pra voltar
eu quero colar o meu corpo no seu
eu quero colar o meu corpo no seu
em qualquer lugar
leve um casaco vai por mim não temo o tempo que está
mas pode chover por aí
eu ouvi
eu quero colar o meu corpo no seu
em qualquer lugar

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

remix de mim.

repete as palavras mais duras no eco do siliêncio, palavras borradas de um escrito que não pode mais reconhecer. pessoa: eu. sozinha, a vida decepciona só a mim. fórmula covarde e eficaz. de tempos em tempos. de eco em eco. até não aguentar, que a falta de veneno também mata alguma coisa que precisa continuar.

domingo, 30 de janeiro de 2011

bonequinha de luxo

a boneca russa quer falar muito hoje e parece que quer trocar o nome desse blog! pode?
conversei com ela, expliquei que não é fácil mudar o nome das coisas como quem troca de madeira. talvez não eu seja tão inteligente quanto ela, mas dócil me ouviu e por enquanto está quieta. ah, essa boneca russa não sossega! sempre uma novidade! não encolhe ou estica sem fazer disso uma novela. boneca mexicana! isso eu só pensei, claro! se ofender a bonequinha, ela roda a baiana!

a boneca russa quer falar

tive uma visão que só mesmo ao vivo posso contar. precisa olhar nos meus olhos para acreditar! adianto que, enquanto esperava por você, matutando sobre a vida descobri umas coisas e delas surgiram outras e assim fui desvendando tudo, sem querer. eu não quis ir até o final, mas tanto você demorou, que lá cheguei. assim não posso te contar, vc não vai acreditar.

pense
























D de derrelição

de desespero
desassossego
repito
e digo
sossêgo

ego

domingo, 23 de janeiro de 2011

sobre a importância das coisas

parágrafo 1:
um dia, de repente, admitir que entendeu bem o que vive e isso significa não diminuir o valor dos acontecimentos somente por acreditar que não se deve levar tudo tão a sério. sério. e a nuvem que encobre o brilho real daquilo que dói demais ou que é bom demais para suportar naquele momento, um dia sai de cena e quando venta já é tarde.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

mãos à obra!

um trânsito interno cósmico astrológico bombástico
uma vontade de estar com meus amores
é cronológico
30 anos
nada de horrores
é lógico!
costuro as linhas da vida só com o pensamento
parabéns pra mim, que estou viva até hoje!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

tic- tac: que feio é escrito, o barulho das horas passando

os sistemas já não são os mesmos e as palavras criptografadas não podem dizer nada. investigo uma ruga no espelho enquanto novamente me esforço por pelo menos uma palavra que faria sentido; se pudesse ser fotografada. as palavras criptografadas não querem dizer nada.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

memória

das contas que já diminui agora só faltam alguns poucos saldos
dados das lágrimas que bebi
momentos que eternizei
fome do amor
de um tanto de dinheiro
de merda nenhuma
fome de mim
de porra nenhuma
de vc
de nós dois
roendo unha
palavras
solidão
medo
choro e sonho
equecidos
como as queixas de depois

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

a sociedade, o verão, a paixão, a merda e a rotina

A rotina e a História
VERISSIMO
O GLOBO - 09/12/10

Nada me impressionou mais no relato que li, certa vez, sobre os últimos dias da Segunda Guerra Mundial na Europa do que saber que, enquanto as tropas russas entravam em Berlim, em algumas zonas da cidade o leite continuava a ser entregue, os carteiros continuavam a fazer suas rondas, a vida “normal” seguia seu curso. Não sei se achei isso admirável – o poder de resistência ao caos do banal e do cotidiano – ou um exemplo assustador da rotina desconsiderando a História. Viver “normalmente” num mundo em conflito permanente entre riqueza e miséria, privilégio e exclusão, progresso e atraso é a experiencia comum de todo o mundo. Isto inclui os desenvolvidos e os sub, inclui todos sem exceção – a não ser, talvez, os escandinavos. Mas mantemos nossas rotinas mesmo sabendo dos bilhões de despossuídos da Terra, incluindo os que vemos pelas nossas janelas. Fazer o quê? Sentimos muito, nos indignamos, votamos em quem promete melhorar a situação pelo menos na nossa vizinhança, mas nossas vidas têm que seguir seu curso. Como em Berlim, o conflito está acontecendo longe do nosso cotidiano. Mas às vezes – como no Rio – o conflito invade o cotidiano. A rotina é abalroada pela História. Nosso dia-a-dia não é mais refúgio nem álibi e somos obrigados a enfrentar a realidade.
Além das características peculiares do confronto que o incendiou – o trafico, a polícia, as milícias, os políticos, uma velha História tipicamente brasileira –, o Rio serve como um microcosmo das divisões sociais, raciais e econômicas do mundo, apenas complicado pela
sua geografia nada comum. Discute-se quais seriam as piores favelas do mundo – dizem que as do Haiti e da África do Sul disputariam a medalha de latão – mas todas as favelas são iguais no que elas representam de descaso de um lado e de ameaça do outro. Antigamente, quando quem morava nos morros do Rio vivia pertinho do céu e arma de bandido era navalha, já se falava no que aconteceria quando os morros “descessem”.
O temor, explícito ou implícito, é de todo o mundo. Mas enquanto a invasão não vem, ou só vem de vez em quando, a rotina prevalece e a vida segue seu curso.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

paixão segundo o fim do ano


aqui no Brasil é verão
rascunhar caminhos com o clima abafado
banhar onde ainda se vê o chão
não muda minha situação
aperto os olhos e olha o que me acontece
vejo a ponta de um iceberg brilhando no infinito
e derreto de paixão se enrosco contigo
perfeito segredo
perigo
carnificina
na Rocinha
na cozinha
carnes na Prainha
torrando ao sol e sal
evaporando, morrendo, correndo
só esperando o Carnaval
o tempo que voa, pára
a chuva que lava, leva
o peito que bate, dói
a pele que clica, manda
então eu digo: paz e amor
suor e frescor!
dedo do foda-se pra vc!
eu sou muito mais malandra!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

sábado, 6 de novembro de 2010

quase leve

me acontece uma solidão gostosa e rara quando a chuva forte do verão disfarça o meu silêncio que no mais silêncio é só a minha música! tempo, vento dentro e gosto de mim aqui, assim... uma lembrança recente. fade out da nossa última cena de beijo, escurece, cai o pano, quebra, arde quente, quente.
quente
se sente.

tão selvagem a coragem...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

contribuição de um amigo poeta para esse blog:



Não se esconda atrás do espelho
Não se prenda na moldura
eu lhe imploro de joelhos
seu amor é minha cura
Não prenda seus cabelos
nem apague esse sorriso
esse samba é meu apelo
seu amor é o que preciso
Não feche as cortinas
nem cale a sua voz
A chuva que canta aqui na esquina
traz água nova pra sua foz

domingo, 24 de outubro de 2010

sempre que eu tento, não adianta!

trocou as sapatilhas de balé pelos coturnos
sem clair de lune
no noturnos
se foi
foi?
foram-se indo todos aqueles
e mais os que virão já verão amores
nomes
cores
sabores
dores

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Caracteriza-se a Demência quando, em um indivíduo que teve o desenvolvimento intelectual normal, ocorre a perda ou diminuição da capacidade cognitiva de forma parcial ou completa, permanente ou momentânea e esporádica. Dentre as causas potencialmente reversíveis estão disfunções metabólicas, endócrinas e hidroeletrolíticas, quadros infecciosos, déficits nutricionais e distúrbios psiquiátricos, como a depressão (pseudodemência depressiva) e amor.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PEÇA MULHERES DE CAIO ESTREIA ESSA SEMANA!

IBAM CULTURAL: LARGO DO IBAM N1, HUMAITÁ, EM FRENTE AO RESTAURANTE À MINEIRA
ESTACIONAMENTO GRATUITO
INGRESSOS
20,00 INTEIRA
10,00 ESTUDANTES, IDOSOS E CLASSE

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

não deu pra ler. aqui, agora, assim, não.
pingou uma gota.
secou.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

sozinha

enquanto ela não vem, disse que chegaria em pouco tempo, pediu confiança que voltará, voltará, nenhuma sensação de sua aproximação, isso me angustia e o tempo, remédio pra tudo, dizem, voando e enquanto isso eu vou me virando, me contorcendo pra caber nas horas do dia e nas tarefas que me proponho sem causar escândalo, eu aqui sozinha com essa vontade louca de chorar e não conseguindo, apertando a garganta cheia de tosse, sem dormir, louca pra atravessar os dias sem ela só no sonho, rouca e velha e quase sem ilusões, e cínica, ainda espero, tomando xarope, fumando cigarro, caindo pelos cantos, cheia de vergonha da minha cara de abandonada. já viu gente abandonada? é feio, é triste... tão triste... o olhar fica meio parado numa expressão estranha. o olhar procura longe, não foca em nada mais perto, fica vago, perdido, cansado, sem brilho.... é triste e sem fim.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

VEM QUE TEM! FESTA DIA 27/08!!!!

AS MULHERES DE CAIO SÃO:
BRUNA SPÍNOLA
CAROL FAZU
JOANA GERVAIS
LINN JARDIM
LARISSA SARMENTO
PATRÍCIA ELYZARDO
RHAVINE CHRISPIM
E EU!!!!
VENHAM!!!!!!!!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

PROCURA-SE MULHER-MOSTRA


AVISO:
A mulher- monstra que quase nunca sai para brincar, hoje foi vista solta pelas ruas de Botafogo. Por descuido no forte esquema de segurança que a mantém separada do mundo real, ela fugiu e sozinha ameaça a paz de toda a cidade. Geralmente assusta e faz confusão, ninguém controla a sua estranha pulsão. Portanto, atenção!

RETRATO DA CRIATURA:
Tem um pau enorme que pode comer o mundo e fazer sangrar até o mais crente de valentia, uma corcunda profunda, inofensiva e grotesca. Usa um rabo de cavalo bem alto, dá golpes com o cabelo, já cegou muita gente desavisada por aí. Passos ligeiros, pernas abertas alertas e quadril de fêmea no cio. Grita quando se irrita, levanta a mão/pata com os dedos abertos para acariciar ou mais uma vez golpear o inimigo, sem aviso!

TODA A COMUNIDADE DEVE FICAR ALERTA!

PONTO FRACO: gentileza

CUIDADO: parece humana. além da corcunda profunda, pode ser identificada pela alta estatura, cabelos muito negros e longos. olhos igualmente negros, grandes, selvagens e pele macia, de um brilho incomum.

RECOMPENSA: uma vida inteira minha de gratidão e... podemos negociar outras formas de pagamento.

ilustrações Robert Crumb

humano demasiado humano slava's snowshown

com nenhuma palavra, Slava's SS encena o que o homem tem de mais inocente e de mais complexo . como? muito estudo, muito amor, muito esforço, e enfim... 30 anos depois, a descoberta da perfeita matemática cênica! uma equação misteriosa com fatores como precisão e simplicidade de alto quilate... aula!

domingo, 1 de agosto de 2010

DOIDO!


quero falar de sangue, suor, lágrimas e quem sabe até de vômito, não me levem a mal, nem a bem, mas é que às vezes me sinto assim...tão.... e não tem nada a ver com você nem com a tv! tem a ver sim com o que em mim não está quieto. não deixe quieto, não deixo, fique esperto! corda bamba, vida loka! me socorra! eu não posso nem fugir, muito menos mentir. nunca mais! encare com caráter encare com garra, e largue, larga toda essa máscara! em cena na vida real com muita cara de pau diga ao seu destino que fuja de você porque nem ele sabe de onde vem e pra onde vai, vontade de sinceridade. vontade de crueldade. gargalhada na porta do teatro. elias andreato hoje me catucou na peça DOIDO. último dia em cartaz aqui no Rio hoje!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

encomenda

essa postagem é uma obrigação. crônica, relato, não sei de que forma, mas preciso cumprir uma promessa que fiz pra mim mesma. escrever a qualquer custo sobre o meu dia! venha o que vier, respeito, respeitem. sei que vai ter gente aí rebaixando esse texto a um simples registro tipo aqueles escritos em diários de adolescentes. o negócio é que de repente hoje tudo foi muito diferente. e eu podia ter ficado irritada com isso, pois planejar um dia é raro e preciso. nada aconteceu de mais nem de menos. a culpa é metade minha, metade do acaso. eu, por adorar fantasiar e dramatizar detalhes bobos que qualquer um nem notaria. o acaso, como lua cheia que rouba a cena em noites especiais, hoje resolveu solar em boca de cena. foi mesmo um dia, no final das contas, cheio! até piolho catei na meia arrastão que prendia a cada movimento que fazia, entende? piolho! piolho pipoca e meia arrastão prende em tudo! e faz tac tac! e com o mesmo jeito de tirar piolho eu desprendia a meia pra continuar andando pelas ruas da Tijuca, de Botafogo, do Catete, de Copa e de Laranjeiras também. por todos esse lugares orelha em pé, como de cão de guarda. tão curioso estava o som da cidade e as músicas que me cruzaram. até trilha sonora! eu sou uma personagem, sempre que quero e quando menos espero. na fila morta da Vivo não pude dançar, pois me confundi com tantos ritmos. samba ou jazz? bossa nova? rock, tango, bolero, forró, fado engasgado e ódio nos olhos saltados. suspiro me viro e repito três vezes: vou dar uma volta, vou dar uma volta, vou dar uma volta. vou ver a cidade, vou sozinha sem amizade. não decorei nunca o número nem do mais importante dos amigos, sozinha. impossível! eu dou três passos e logo escuto meu nome bem alto numa exclamação tão bem vinda! eu nem me assustei, sorri! vem, vamos ali tomar um café? sim. vamos ler um pouco? sim. e fazer uma hora pra ir ao teatro? sim. vamos trocar figurinhas, letras e segredos? sim! sem pressa melhor ainda. com adoçante e cigarro, dorittos e sprite light. bom, tudo numa desordem só. sem linha cronológica, por favor. então agora eu volto ao momento em que entro novamente no meu carro e ligo o rádio que ainda está na mesma estação de antes, tocando a mesma música de antes, ainda no refrão, só que horas depois! horas e por mais de 20 minutos apenas o refrão continuou tocando! estranho, realmente um detalhe estranho. muitas hipóteses, mas a primeira claro foi a mais ego trip de todas. quis achar que era um recado pra mim! pra mim, com certeza! tocava girl you gotta love your man, the doors. eu balançava a cabeça curtindo aquilo, concordando com aquilo até que me enchi o saco, rindo de mim que não trocava de estação mesmo assim. 91.5, alguém conhece? não era pra mim porra nenhuma. o dj e locutor morreu em plena transmissão e o corpo caiu pra frente, onde fica a vitrola. ninguém percebeu? só eu? ai coitado! morto e esquecido! morreu de que? se matou? foi assassinado? a sua mulher, sua amante, sua ex, quem era a louca que o matara com unhadas profundamente cravadas na jugular? a de unha maior e mais afiada, uma arma pintada de vermelho doce inferno. será que foi o sangue que fez o disco tocar sempre a mesma parte da música ou será que a louca depois do crime cometido ainda teve a frieza de esolher a trilha sonora e ainda por cima mixada?! é almodóvar? é filme? é nada! é imaginação. imagem, ação, imaginerie, simulacro, invenção, fantasia, desejo de metafísica, sei lá..... buenas noches!

domingo, 18 de julho de 2010

hoje eu vou postar até o meu dedo cansar, vou gastar do único jeito que me resta! vou gritar com os teclados prateados do meu mac maltratato, vou cuspir nos olhos de alguém uma hora dessas esse tanto de palavra molhada do esforço em querer dizer o que desorganizado tem me incomodado tanto. tecla, tal, talco, tara, tico, teco, tiara, teco, tive, toma, tá nada, sou nada, tapada, tá fudida! tsc, tilte, titanic, tiramissu silvestre derretido na memória. agora já está melada a confusão!

muito estranho

às vezes penso que engoli um demônio e não fiz a digestão...
minha tia disse que é normal, mulheres intensas são assim. minha tia nunca sentiu nas entranhas isso que eu sinto. ela mesma me confessou que sabia que a vida podia ser bem pior, mas preferia sentir as coisas com mais leveza. perguntei como fazia para preferir e conseguir o que prefere. ela ficou calada e com um semblante muito doce simplesmente inclinou a cabeça para cima e ainda calada suspirou com os olhos brilhando. sei que ela não viu nada e eu fiquei sem resposta. pouco antes da sua morte, eu voltei nesse assunto porque sempre pensei que quando a pessoa sabe que vai morrer parece que vê a vida com mais clareza. ela mais uma vez calada. que coisa! muda não era e ainda tinha uma certa força para abrir a boca e deixar escapar algumas palavras. balbuciaria, imaginei com ansiedade me queimando o demônio, alguma dica, sei lá... nada, nada. não disse nada, nem olhou para cima. olhou para mim com um olhar muito estranho. metade pena, metade inveja.

entre os fios quebrados finos aos meus olhos cortados estranhos sem pausa com pressa para nada capto ca ca ca beça capta piolho no olho de quem vê balançar a cabeleira de finos fios ca castanhos dançantes movimento estética solidão brilho e algo de sexual escondido ainda mais dentro do emaranhado desesperado pára

próxima
amanhã
eu não sei
3
tarde

segunda-feira, 28 de junho de 2010

é natural qualquer coisa

dói ter vontade de fazer xixi e não poder

sábado, 26 de junho de 2010

o pesadelo da boneca russa no inverno



miudinho como uma ervilha. dentro bem dentro e quase sem espaço ainda bate nas paredes de dentro do dentro da membrana que separa da outra parte. e do lado de fora mais um ou seria uma cápsula que guarda outras cápsulas de amor escondido? e dentro do dentro e do lado de fora, duplamente cheio de faces surgem as ervilhas cada vez maiores até chegar ao tamanho de um coração humano de gente adulta. no frio da solidão, tremendo de medo. só se despe no desespero e só morre no fim. o que é o que é? é o pesadelo da boneca russa no inverno!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

para não pecar contra a própria vida

Dizem que a primeira palavra que falei foi Deus? Dizem...
É claro que eu tentei falar pa-pai, mas antes mesmo foi Deus, dizem...eu acredito.
Fui criada por duas tias carolas que chamavam por Deus? o tempo todo. Para tudo era Deus? Eu escrevo e falo Deus? sempre com interrogação no final, perceberam? Descobri. É assim que se deve falar com Ele! Comecei interrogando para me certificar de que Ele estava me escutando e continuo pq passei a duvidar da sua existência. Titias se fossem vivas não iam entender esse meu jeito de pensar. Não importa, pois mesmo assim eu me sinto muito bem e ainda faço as minhas orações diariamente. Antes de dormir ou quando fico nervosa e isso pode acontecer a qualquer hora do dia e da noite. Acontece mais à noite, quando estou sozinha em casa e o escuro me engole. Junto as mãos na maior das fés e chamo Deus? E acho que ele não me escuta e chamo mais uma vez Deus? E Grito Deus? Bem alto e com o grito vem o choro forte, depois o silêncio, a calma e então consigo dormir. Sonho com Ele me ninando e acordo acreditando de novo. Durante o dia eu preciso fazer isso algumas vezes. É muito importante não desistir de Deus? Só assim a gente consegue ir até o final.

terça-feira, 22 de junho de 2010

praia de areia fina e branca, muito branca. casas cortadas ao meio, feridas e abandonadas. todas enormes e de estrutura negra. som de esqueleto cortando o vento. pequenos bichos mortos, peludos como tapeçaria de luxo e um mar de gente muda e desconhecida enquanto ainda sorri. caminha, sente o vento nos cabelos. a saia do vestido dança, faz um desenho bonito borrado de flores amarelas e vermelhas. cachorros de pêlos pretos deitados, ou mortos. carrinhos de bebês, babás invisíveis, bancos sujos, choros abafados, sacadas verdes, praça de concreto. olhares vazios, sorrisos montados, falsa tranquilidade. bananeiras, palmeiras e coqueiros. enormes janelas pro nada, panos brancos, cheiro de queimado. já sem fogo, td ali já havia acabado, mas ainda assim uma vida estranha, além do verde sobrevivente do alto do coqueiro, pulsava silenciosa como respiração contida. côco queimado, côco seco. boca seca, nariz seco, td cansa e o azul marinho do mar mais distante. pensou: foi feito pra não alcançar, só pra sonhar.

domingo, 6 de junho de 2010

mil por hora

se o coração aguenta então vá em frente!
quando a perna é forte não há medo que a faça TREMER

corraaaaaaaaaaa!!!!!

é bonito quando no meio do caos o tempo desacelera e as cores vibram
esse movimento é poesia que invade apesar dos poros entupidos pela vida que te exige ser prático

chega uma hora que você só tem que dizer sim ou não, mas as escolhas são infinitas

quem sabe?

não falo só do amor, falo do tempo e do espaço
e de variantes e variáveis

mente precisando meditar

corpo rígido do frio

ai domingo, vai passar

e é mesmo necessário ser super humano

ou se fuder

escolas de malandragem, frequentei sim

buda, jesus, freud, ossanha, chico buarque, clarice lispector e incenso

caio fernando abreu

sou uma mulher
sou uma mulher?

quantas ainda cabem aqui dentro?

e assim seguem os dias
e eu me perguntando

quizás, quizás, quizás
laralaralaralaaaaaa
la la la la la la la

vou me casar
já mandei fazer o vestido!

terça-feira, 1 de junho de 2010

boneca russa de tpm


colorida, bem vestida e com cara de saudável eu caibo dentro de mim e dentro de mim cabem mais várias de mim. uma menor que a outra, encolhidas, como cabem! primeiro eu, depois uma outra eu e depois outra e mais outras infinitas. bem de dentro de mim brota um monte de mim, um monte de eu, de coisas. cada uma com uma cara muito minha, máscara atrás de máscara. uma, depois a outra e depois a outra. de dentro pra fora e de fora pra dentro. são muitas de mim enfileiradas esperando a hora de atuar ou de correr pra trás de alguma pra se esconder do mundo. com a boca roxa de frio uma das bonecas quer saber se tem chocolate quente e cremoso agora. tem?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

é o pente! até o presidente!



não tenho olhos pra encontrar o buraco da agulha, a linha solta voa, some e se confunde com meus cabelos brancos que já nascem sem eu perceber. também não tenho olhos para ver as marcas do tempo na minha cara pálida, cara de pau, cara à tapa, carão, cara dura, caraca! no som do pancadão, vou rebolando até o chão, saindo de mansinho eu caio na contradição, é meu irmão, é a lei do proibidão, ão, ão, ão, NÃO, NÃO, NÃO! fui interrompida pela gritaria do funk aqui na esquina. me avisa só onde eu posso botar com raiva!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

tem jeito não

conte uma mentira
é rapidinho
e leve uma bolacha
mas de chocolate
late, cachorro bobo!
você também late
na unha meta é mate
côco ralado, bote mais!
capriche no rebolado
é bom mermo
misture tudo assim
ande rápido, menina
aí que agonia!
tire isso de mim!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

morte ou pela passagem de uma grande dor


tudo está sempre morrendo.
não sei até quanto eu posso guardar do que passa forte por mim, mas alguns momentos já nascem eternos
choro muito pela beleza do amor
pela tristeza
pela certeza da dor,
não queria nem que a morte pudesse parar o amor
pra onde vai o amor quando ele acaba? acaba o amor? morre o amor?
explode no ar em cores lindas e se transforma em lembrança de quem? ou vai morrendo aos poucos deixando só um rastro, só uma música de fundo dedilhada em que espaço? em que tempo?
luto
é tão grande a sensação de solidão quando um amor acaba
e quando ele nasce
e quando ele acontece
não se pode amar como antes
eu odeio o amor
imagens em câmera lenta e retratos cortados dançando gymnopedie
tudo isso na minha cabeça e meu corpo todo doendo de desamparo
sou grande demais pra caber no colo de alguém, adulta demais pra assumir que não sei nada da vida, burguesa demais por achar tão importante falar de amor?
dói
e se eu morresse?
e se vc morresse? já pensou?
e se já morremos?

lembremos dos nós dos nossos corpos nús
das danças e dos gritos no ouvido
das gargalhadas e conversas mais complicadas
das manhãs e noites seguidas de nossas companhias, tempo curto da vida em que pensamos que solidão não existiria

segunda-feira, 10 de maio de 2010

lago negro

qualquer coisa quando cai, mesmo aparentemente não rachando, se machuca
qualquer choro que não sai quando vem é bem vindo
gosto de rir de mim mesma depois que uma gota transborda meu pote de água negra
ao contrário do que penso, faço e depois calculo
por mais que eu tente, sempre é um mergulho
cheiro flores no escuro como Ofélia faria apaixonada
depois a correnteza lava e a miséria da alma acaba
perto do que me dói, apenas eu e minhas infâncias roubadas
uma lista interminável de imagens
me perseguem quando estou assim tão, tão, sei lá
me deixa
me deixa
porque se não me deixar eu não deixo e não tem mais jeito
viagem no cartão de crédito
bilhete de despedida
roupas velhas na mala
promessas de vida
me deixa
tpm é uma merda
ela faz que não vem
mês a mês joga meu humor no lixo
e logo volto podre para a superfície
preciso parar de gastar moedas nas fontes de pedidos!

domingo, 9 de maio de 2010

dizem que sou louca por eu ser assim...


me perguntava muitas vezes ao dia
me perguntavam em silêncio muitas vezes ao dia
sou uma idiota?
procurei o significado da palavra no dicionário antes de finalmente tentar me responder.
eu realmente fiquei encucada e queria uma resposta bem pensada, para que meu próprio julgamento fosse ao máximo justo. uma vez idiota, sempre idiota e isso é uma marca profunda na personalidade de uma pessoa, penso. bom, encontrei o seguinte:
IDIOTA: que ou quem é pouco inteligente: tolo, estúpido, imbecil.
e tarde chegou o momento de confrontar meu ego e supergo numa discussão difícil, mas eles acabaram concordando. Pois sim, sou uma idiota e vá com Deus. Eu vou!
às vezes é melhor não aprender, olhar pra vida como se tudo fosse inédito,
ser virgem de novo, ingênua e não usar disfarces, atenta ao vento, tolinha, tadinha... felizinha!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

como vc se sente?

ela ficou louca, é o que todos dizem.
superficialmente, claro, é o que podem dizer.
tão linda e louca, Betty Blue da zona sul.
corta os cabelos toda semana, pinta de 15 em 15, rói as unhas sistematicamente enquanto tenta colar as postiças na carne viva.
rasga a meia-calça pra fazer um estilo diferente, ri das próprias invenções.
escreve seu nome com os dedos na poeira dos carros
atende o telefone com bom humor e quando desliga quer matar quem ligou!
faz compras somente do que não precisa
beija somente os que não a cativam
finge orgasmos
multiplica suas gargalhadas em ecos de estranha felicidade
bebe diariamente, de refrigerante a detergente
varre toda a cidade!
dorme quando consegue, sempre tem algo a fazer
e nada importante
liga pra mãe chorando, depois diz que é saudade dos tempos de antes
consegue um trabalho aqui e ali, no caminho pinta correndo a boca de vermelho alaranjado, borrado
gasta tudo que ganha com cigarros, bebida e idas ao cinema
nunca teve carteira de estudante
se lambuza de algum doce delirante, uma vez na semana
vomita várias vezes por semana
vê caras e lê veja nas bancas das esquinas, assim sabe de tudo o que acontece no mundo todo e pode conversar com estranhos sobre as notícias mais quentes, superficialmente, claro.
comenta também sobre o tempo e o quanto as fulanas emagreceram ou engordaram
com o passar do tempo
o tempo, sempre o tempo!
sonha com um grande amor
acorda desesperada
liga o rádio escuta Amy e dança Gaga
quer ser a Beyonce, mas a bunda faz tempo não anda lá essas coisas, ela sabe
e vai levando
o tempo passando e ela com a mesma mania de garota colorida
cada unha de uma cor, tem vez...
as unhas, sempre as unhas!
sapatos vermelhos
sempre vermelhos!
lenços e laços estampados
e o tempo
tá chuvoso
mas guarda-chuva, ela não tem
vive molhada, quando não chove se taca no mar pra tentar se afogar
mas não consegue, ela vai levando, assim como pode
sozinha, tadinha.... maluquinha!

domingo, 25 de abril de 2010

dor e cansaço para que algo aconteça
e de novo e de novo
quem vem primeiro a galinha ou o ovo?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

encaramujando

nóssóasóssónóssemosnós
..............................................navegando
porque nascemos
mas não queremos..............................
duvideodósemdónemnó
........................................deitar na grama verdinha
encaramujando juntinho

segunda-feira, 5 de abril de 2010

renda-se

certas coisas são inevitáveis como a dança das janelas abrindo e fechando ao som de vento forte

domingo, 4 de abril de 2010

utdo é ciçfão, mneos a dro.

O título dessa postagem é uma frase de Jô Bilac: "Tudo é ficção, menos a dor." A cena é uma narração em primeira pessoa que começa assim: ontem passei na esquina de casa e vi uma mulher pendurada no orelhão. ela tinha os olhos borrados de maquiagem preta, a cara suada, o cabelo louco, o salto torto (metade na calçada metade no asfalto), tornozelo torto, sujo, decote torto, sorriso torto, dizendo pau sa da men te entre espumas brancas:
- sabe, já não espero mais as flores, o cartão postal nem sequer as lembraças por elas mesmas. eu sei, bebi demais. 12 horas de porrrrre, é bom! agora basta comer um macarrãozzzinhosozinha em casa, novela na tv olhando nos olhos do thiago laceerrda. sabe, eu não espero mais uma comidinha feita com essspeciarias e malandragens que vc me prometeu. faz tempo perdi o paladar pra coisas que eu não provei. tá td calmo... é como eu te falei uma vez na casa da sua mãe: quem nasce bem como eu não aceita qualquer coisa! lembra ou não lembra? nãaao lemmbra. agora vai dizer que não leemmbra! então, escuta! quem nasce bem como eu não aceita qualquer porcaria! entendeu? mas eu tô trabvallhanndo o desapego, o zen, o amor próprio e ao próximo tudo assim juntinho, é difícil, mas eu ttôo no caminho, eu vou me adaptando, sabe como? thô calllma! eu tô ficando velha e idiota, é isso, vc tem rrrazzzão! tem rrrazão! eu não disse que vc disse isso eu é que disse que eu acho que vc acha isso de mim. eu não tô exaggeranndo não, tá!? vc acha isso sim eu sei que acha, mas tá td bem, td certo entre nós, enfim concccorrrdamos! eu sou velha e idgiota!
bateu o telefone na cara do sujeito, depois das últimas e conclusivas palavras arrastadas e sumiu na multidão. para observar essa cena até o final eu tive que disfarçar a minha curiosidade. primeiro fingi estar conversando ao celular, depois ajeitando o cadarso do tênis na beira da calçada, também toda torta quase com a outra metade do pé no asfalto, bem ao lado da sandália de plástico da mulher descontrolada. ela devia ter uns 30 anos. toda torta da vida. sem saber pra onde ir de tanta birita, coitada! aquela mulher fazia gestos monumentais, ela era um espetáculo e isso td é invenção!

domingo, 28 de março de 2010




errei o caminho de casa outra vez enquanto pensava que tudo se parece com tudo. tudo se parece com tudo e com nada ao mesmo tempo. queria dizer isso a um desconhecido, que não me julgaria demais. na minha solidão de agora só cabe mesmo alguém que nada sabe de mim. alguém que não me fez nada de bom nem de ruim. acho que não! acho que tudo se parece com o que é, quando conseguimos perceber algum sentido, mas hoje não. algumas pessoas vivem assim a vida inteira. e assim passam os anos tentando tantas coisas, errando tantos caminhos. eu vi um filme hoje que parecia a minha vida, que parecia.

O AMOR:

o céu vai cair em gotas pesadas na minha testa preocupada. o vento vai sacudir as minhas idéias embaraçadas, as minhas tranças de princesa apodrecida, mas não vai ser capaz de levar para longe o mau cheiro das feridas. nem a chuva vai lavar coisa alguma, por mais que eu me faça de esquecida.

quarta-feira, 24 de março de 2010


PAREM DE LER O MEU BLOG, PROCUREM MAIAKOVSKI!

terça-feira, 9 de março de 2010

evasivas meias palavras

uhum... aham... é... não, não. não sei. uhum, é, tá, tá. tá bom... então tá bom, tá bom, tá. tchau!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

AGRESTE MALVAROSA

Texto espetacular de Newton Moreno
com direção de Ana Teixeira e Stephane Brodt, do AMOK
música linda de Beto Lemos
em cena duas jovens atrizes Millene Ramalho e Rita Elmôr, inteiras fazem as palavras de Newton ficarem ainda mais bonitas e reais
no Teatro do Jockey, até 14 de março!!!!
sente logo na primeira fileira e olhe bem fundo nos olhos das atrizes, como uma criança que acredita nas histórias bem contadas, fui ao agreste e vivi com elas a beleza do amor, a agonia da ignorância, a dor da morte, a graça das descobertas. é uma peça delicada como a malva rosa, planta usada por curandeiros de flor exuberante e cultivada sob sol pleno

sábado, 20 de fevereiro de 2010

ressaca

finalmente sinto a solidão que ninguém nunca poderá tirar de mim! absoluta, bruta e definitiva. agradeço a sinceridade desse momento, que é a única testemunha e a única que não vai tentar me fazer acreditar em outra possibilidade para mim nessa vida. já estava na hora, quando o carnaval acaba. abri a porta, dei de cara com ela e não teve bloco pra disfarçar, é mentira! hoje brincou o bobo. entrei em casa com o rabo entre as pernas assumindo que acabou a fantasia.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

MULHERES DE CAIO: META-CARTA

Querido,
quanto tempo não ouço a sua voz de veludo pesado! Veludo do bom, grosso e macio que me esquentava nas tardes cinzas de inverno. Aquelas tardes em que não nos encontramos naquela praça abandonda no meio de uma cidade invisível, espaço entre o nada e o lugar nenhum, onde coube por um tempo a cabaninha secreta do nosso amor mágico. Truque: saiu agora da minha cabeça essa palavra e é mesmo como um truque que alguma coisa que era fundamental desapareceu deixando a marca da lágrima eternizada na cara do palhaço. Então, meu muito querido, essa carta é de alforria, desplugo agora nossa sintonia! Querido querido, me perdoe por eu ser quem sou, me perdôo por ter te amado demais, te perdôo por tudo o que for preciso perdoar. Fechamos a conta assim com tudo combinado e quitado! Eu realmente espero que você entenda os meus motivos escondidos e que não pense que estou maluca. Que essa carta chegue ao seu endereço, mas isso não depende só de mim...
Um beijo com desgosto carinhoso de quem sempre vai te esperar voltar das cinzas tardes esquecidas na memória, das manhãs dos sonhos mais coloridos, bem do fundo da minha mais ingênua ilusão, das paisagens mais lindas das florestas mais densas, de algum lugar... e aí eu vou querer te dizer um texto que eu li uma vez e que me fez lembrar muito de nós dois. Com cuidado, palavra por palavra, bem articulada, vou te dizer cada uma delas com os lábios tensos que seguram o choro:


"SABE QUE O MEU GOSTAR POR VOCÊ CHEGOU A SER AMOR, POIS SE EU ME COMOVIA VENDO VOCÊ POIS SE EU ACORDAVA NO MEIO DA NOITE SÓ PRA VER VOCÊ DORMINDO MEUS DEUS COMO VOCÊ ME DOÍA VEZENQUANDO EU VOU FICAR ESPERANDO VOCÊ NUMA TARDE CINZA DE INVERNO BEM NO MEIO DUMA PRAÇA ENTÃO OS MEUS BRAÇOS NÃO VÃO SER SUFICIENTES PARA ABRAÇAR VOCÊ E A MINHA VOZ VAI QUERER DIZER TANTA MAS TANTA COISA QUE EU VOU FICAR CALADA UM TEMPO ENORME SÓ OLHANDO VOCÊ SEM DIZER NADA SÓ OLHANDO OLHANDO E PENSANDO MEU DEUS AH MEU DEUS COMO VOCÊ ME DÓI VEZENQUANDO" Caio Fernando Abreu, no conto Harriett

sábado, 6 de fevereiro de 2010

vem que eu tô aqui!

me dou conta de que não sei voltar pra casa quando não reconheço por onde passo. nem as ruas, nem as casas, nem a cor e o cheiro da praça. nada, nada. é sempre uma certeza furada, pegar a estrada.
o verão tem dessas coisas, o corpo sempre em movimento, paixão, um tormento! se saio pra pescar, logo quero ancorar. se como demais, vomito. se beijo de menos, choro. se danço demais, lasco o pé. se chove, me molha. se choro, nem noto. mas em nenhum momento perco o ritmo, ainda vou fundar o meu bloco! vc vem comigo?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

prometo todos os dias amar e respeitar, regar e deixar crescer toda palavra que me acontecer
toda minha fidelidade e dedicação estarão sempre entre nós
que assim seja feita a minha vontade
em todos os momentos de solidão que essa dor se faça menor porque tenho como me socorrer
e que o milagre da multiplicação se realize no momento em que pelo menos uma pessoa possa me entender
que, enfim, eu seja feliz para sempre enquanto tiver onde escrever

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

pra mim?

"ele bruto, ela leveza
ele cor e tinta, ela palavra e expressão
ele aprendiz, ela também, dois mestres...
ela se deixa beijar, ele não conhecia lábios tão macios.
ela convida, ele vai, eles fazem amor
ele nem sabia que homens tinham orgasmos múltiplos
ela suspira, ele derrama uma garrafa d´água nos corpos já molhados.
ela fica mais bonita ainda com o tempo
ele deixa o tempo conduzí-la...
ele comete a loucura de escrever essas palavras em um bilhete, mas queria escrever novamente com chocolate naquele corpo de leite"

o vento trouxe um pedaço de papel rasgado e nele as palavras de um homem que gostaria de conhecer. mexeu comigo. agora ando por aí toda prosa procurando quem é esse que me quer. agora eu sou essa mulher.

domingo, 31 de janeiro de 2010

ando correndo pelas ruas
ando sem pressa de chegar
ando é com medo de ficar

(sozinha, velha, presa, gorda, esquecida, machucada, triste, pirada) - esse é o meu pensamento melancólico

medo de cruzar com gente má
coragem pra olhar no olho e desarmar

com a cara fechada
e os dentes trincados
seguro o guara-chuva como um porrete
dou passos largos
invento logo um cacoete
ando como um macho
do peito estufado
e bigode suado
intimido o inimigo
que inveja do Rio Antigo, heim meu amigo Chico?!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

agradecimento

Hoje quero lembrar de todos que me fazem feliz, são tantos nomes, tantos rostos, pessoas tão diferentes de tantos cantos que estão sempre presentes. tantos mares, marés, gente da França, meus pais, meu pai herói, minha mãe rainha, minha família, irmãos de sangue, de fé, de luta, de consideração, tem até uma gêmea univitelina da cor do pecado, ah outra gêmea, mas essa é a Tieta do Agreste e eu a Gabriela Cravo e Canela da canela grossa, gente de Minas, São Paulo, Bahia, gente do Leblon, uma dona estilosa bem conhecida por lá. Cleópatra, rainha de São Gonça. Boliviano, Catunga, Magalhães, Peu que é da Bahia, de Minas, do Rio e agora do mundo. Brasília tá dominando o coração. Todos os donos dos anéis de sorte. Meus carmas, aqueles chatos que amo aturar. Coisudas. As eternas absurdas. Atibaia. Bragança. Paquetá. Belas, as mais misteriosas feras. Primas lindas. Titia Luiza, amigos da música, do delírio, como Chico e Bia. Rafas. Joaninnha, Teen e a irmã morena chamada Raquel. Tenho saudade de Vanessa, Roberta, da Roberta. Adoro os novos Linnda e Vito sem R, com violão e também senhor dos anéis. São tantos, não quero parar! Os mestres que eu amo mais do que me amam, WLJ, AM... Aquele doido que mora com aquela doida. Todos aqueles que não me esqueceram, aqueles que eu não esqueço e com quem não me aborreço. Tem italiano, tem um macaquinho de Porto Alegre, tem é gente! Tem vizinho, vizinha, tem criancinha. Os mais velhos, minhas pedras fundamentais. Aqueles que mesmo no silêncio e na ausência dessa vida continuam me construindo. Tem dois Animais. Os amores, alguns. O povo todo que entrou em cena comigo e me transformou, por isso inesquecíveis e gente muito boa. Amigos geniais, Valentes, amigos Melados, amigos dos amigos, chegados, cunhados. Leo, o mensageiro da paz. Os companheiros de blog. Geral do Rio, gente do teatro, do grafitti, da praia, do circo, da Lapa, da Barra, Tijuca, Laranjeiras. Tanta coisa boa, tanto amor, tanta vontade de fazer essas pessoas felizes também!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

força e equilíbrio, ninguém sustenda por muito tempo, é preciso um dia de sol dentro de casa, sem ventilar
gritar
espernear
como criança que quer doce, sem essa de cantarolar, ouvindo um rock pesadão, bater cabeça e os pés no chão com o corpo totalmente inerte, sem culpa, sem notar o tempo, fingindo que se diverte, vamos deixar a criança brincar
de caverna , de mexer com fogo e mijar na cama, tenho uma amiga bem assim
eu achava ela meio down, nada a ver
no verão os sorrisos são mais soltos
os dias mais compridos
os homens mais bobos
não combina com rock
nem com bebida mais forte
ontem me disseram que a cerveja cura
não funcionou
o dia lá fora, bonito
o som do sax perfura ainda mais aqui
alguma coisa não me deixa sair
a gente toda da rua
aqueles dois parados ali
não é da janela que vejo
eu sei
pra quem quero dizer isso?
não sei
fora todos os outros, eu aqui
escrevo
romance esquartejado
fatos não tão isolados, desorganizados
elaborando algo possível do caos
cacos
pra mim
de novo
entendo os gordos
entendo os magros demais
alguma coisa está fora da ordem
aqui nessa cidade
fora, fora, fora
medo da insanidade?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

sino bate dentro rola feito troço de doido da garganta pelo dorso sigo reta certa suja  feito louca

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

luar

eu azul da lua, quente do verão e só. de pé com os olhos brilhando paquero as estrelas e converso com o infinito. escuto uma melodia de longe tocada por um anjo. lembro do meu amor e corro para seus braços, já ocupados. ele é o anjo que toca pra mim o luar. sorrio como criança de novo acreditando que tudo nessa vida vai dar certo. entendo a felicidade como a mais simples forma de vida. também choro porque sei que a noite acaba. acabou e eu tive que atravessar o rio, pegar estrada e voar até um lugar onde as nuvens estão mais pesadas. agora forço a vista e procuro aquela claridade a todo instante. aqui me dói quando escurece demais. cansa o fôlego não ter o que é tão simples. vou lá fora algumas vezes olhar o céu, contar estrelas, inventar desenhos de nuvens. vou longe, vou tentar chegar até meu anjo guiada pela luz da lua que brilha aqui também. é só olhar pra cima, abrir os braços e não sentir a falta dos seus, pois o vento da noite de verão aquece. é só olhar com os olhos fechados, lembrar da melodia, dançar com as nuvens, piscar paras as estrelas, fantasiar um pouquinho... e esperar mais um tanto...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

acorde Em, acorde A

é meio cor de nada é meio cor de morte
eu quero um remédio pra guardar, pra acordar e se chama café
a cerveja dá sono a maconha tb mas eu não fumei ontem
acho que eu bebi vinho na casa do vizinho
que me acordou gritando
acorde acorda meu bem meu nenen
hj é segunda feira vamos fazer a feira comprar coisas bonitas flores de um real
chora mas deixa embora
acho que eu vou esquecer
esquece agora
naõ vem não
acho que vou chorar
sentada na sala acordada
nao consigo acordar
nao consigo acordar acho que eu vou chorar, faz bem meu bem
meu bem também eu gosto de vc
eu sei um lugar legal pra gente ir
uma piscina azul da cor do seu esmalte
te mendei torpedos dizendo besteiras?

sábado, 5 de dezembro de 2009

desespero agradável é achar que eu posso sair daqui agora e chegar até vc sem avisar. eu fantasiei esse momento de sair de casa com a roupa do corpo e pegar a estrada, mesmo com esse tempo chuvoso. meu coração disparado só queria saldo pra romper de vez com o esperado. chegaria bem na hora em que estivesse acordando, não sei se cheia de entusiasmo ou com a cara de anteontem ainda borrada de sombra preta. com cheiro de cigarro nos cabelos, a bota suja de rua e a roupa úmida. com febre, pedindo cuidado, chorosa e o corpo todo carente de vc. seria bom? o que faz uma pessoa desejar mais do que nunca estar com uma outra tão subitamente? uma coisa que mora onde? no estômago? no peito? na garganta? nos pés? nos olhos de um homem velho cantando amores perdidos enquanto me estende a mão?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

pela passagem de uma grande dor, capítulo extra:

-hj acordei com vontade de te perguntar se......
-fala!
-nada
-fala!
-se vc...
-o que?
-se vc quer...
-ai!
-se a gente pode...
-pode...
-acho que nao sei te perguntar isso...
-tá complicado mesmo! talvez não seja a hora de perguntar... sei lá....
-vc quer sobreviver comigo?
- é... agora a gente SOBREVIVE, né?

pela passagem de uma grande dor: capítulo único

pela passagem de uma grande dor fazemos qualquer coisa, por essa passagem deixamos cair máscaras e certezas, perdemos nosso endereço, mudamos de casa, de casca, digo casa, casca mesmo. atravessando essa rua escura e perigosa podemos cair em buracos sem fim sem nem sentir, podemos nos machucar feio, criar traumas no corpo, feridas profundas, cortes que despedaçam e desfiguram. por esse corredor entre o antes e o depois enquanto ando finco bem meus pés no chão pra não ser vencida pela ventania que se forma nessas zonas de risco. concentro toda a minha força pra continuar, me recuso a olhar pra trás e rever o que na minha memória já está em processo de decomposição. odores da morte, calafrios, desejo de sorte, suor escorrendo pelas pernas e entre os peitos, olhos piscando pra defender a visão pro futuro, silêncio dos berros abafados em travesseiros jogados pelos lados, de todos os lados, ou pra morrer ou pra matar, silenciar, amortecer. afundo bem minha cara num deles e molho o miolo de espuma com a manifestação humana de dor mais conhecida, minhas lágrimas que caem a conta gotas desde o primeiro passo. querida voz do imaginário, me diga por onde sair, me diga que tem uma saída logo alí. por causa de nehuma palavra dita e por causa da solidão eu resolvi por conta própria juntar mais força e correr. nessa de velocidade o túnel que era corredor, que era rua, que foi uma ponte e seria uma passagem de uma grande dor, eu chacoalhei tanto mas tanto que perdi os dentes e as pestanas e fui ficando cansada e fraca, cambaleando, desesperada acabei por raspar o braço direito numa parede cheia de espinhos e perdi um pedaço grande de pele, meu sangue ia fazendo o caminho de volta e até que eu chegasse em algum lugar ele iria parar de escorrer pq foi só o braço. o tempo e o que via ficavam cada vez mais confusos, tortura, muita tontura, não dava pra continuar, era loucura. parei. em volta td ficou mais calmo de repente. o ouvido voltou a reconhecer alguns sons de fora do meu corpo, um barulho de cidade e gente, a perna tremia, aflita engolia o ar que não conseguia respirar, cores tomando formas reais, um sinal verde ficando amarelo, a silhueta de um menino magro e cabeludo, o cheiro do meu suor, tudo me trazendo de volta a uma rua com carros em alta velocidade e luzes como setas que furam o ar poluído do Rio de Janeiro. o relógio da esquina marcava um tempo fixo 23:23, chovia fino, nesse momento ainda não sabia em que ano era essa hora que o relógio marcava. desacelerei a respiração, passei as mão nos dois braços que estavam inteiros, ainda tremia, muito, com a boca seca, seca e cheia de dentes. então mordi os braços, as palmas das mãos suadas. senti o suor então lambi e beijei. estiquei o pescoço pra conseguir ler o endereço, a placa toda metralhada. pensei em perguntar para o primeiro que passasse por mim, mas não soube de que maneira fazê-lo sem que eu parecesse ainda mais louca. que rua é essa? onde estamos? qual o nome dessa rua? vc sabe em que rua estamos? pra onde vamos? calada e sem dar a chance de cruzar olhares, caminhei como os outros, pernas e braços se alternando pra manter o equilíbrio em movimento, concentrada no ar que respirava mais tranquilamente comecei a me lembrar de ter estado ali antes, mas quando meu Deus? mas com quem? até que li algo que me fez algum sentido, mas não a ponto de ser uma pista. escrito na janela de uma van estacionada: III Festival Nacional de Música Instrumental.

domingo, 29 de novembro de 2009

estalo os dedos, agora pego o que imaginei no ar antes de cair e quebrar, ai! não consegui! foi por pouco, é que vc disse alguma coisa que me desconcentrou. uma daquelas frases que se diz como se fosse uma coisa boba mas que tem um leve sabor de vingança e que eu não amorteço. enfim, se espatifou em milhares de pedaços. a vassoura da bruxa má que me tornei ainda tenta trabalhar de forma que possa juntar as partículas do meu maior desejo espalhadas no chão do abismo. até ele tem fim, tem chão e gravidade é o que nunca faltará em tudo na vida. como um gozo interrompido por algo como a morte eu vejo o amor se despedindo precoce.
nem acredito,
nem acredito,
a quem daria esse crédito? a quem de nós?
nesse término

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

CAMPANHA DEVOLVA-ME!

SE TE EMPRESTEI UM LIVRO ALGUMA VEZ, DEVOLVA-ME!

SE SOUBER DE ALGUMA ESTANTE QUE NÃO SEJA MINHA E QUE GUARDE UM LIVRO MEU, ME AJUDA! FAÇA CONTATO, ACEITO DENÚNCIA ANÔNIMA, TORPEDO, SCRAP, EMAIL, LIGAÇÃO A COBRAR, TICKET... EU SEI QUE ABASTECI UMA GALERA, MAS APRENDI QUE NÃO SE EMPRESTA LIVRO, MUITOS NEM SÃO LIDOS E QUASE TODOS NUNCA DEVOLVIDOS!!!! EXISTE INTERNET, SEBO, MEGA STORE E TUDO MAIS! SE VIRA AMIGO, MAS NÃO ME DESFALCA! EU TENHO APEGO AOS MEUS LIVROS!




TRILHA SONORA: LIVROS

CAETANO VELOSO

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

REBÚ: última semana e imperdível!!!!!!



Rebú reúne um time de gente doida! mas é doideira da melhor qualidade. como? simples: são todos artistas que vieram ao mundo para isso sem dúvida alguma e não descansaram um só dia. Trabalho, trabalho, trabalho, pesquisa, experimentos, ensaios, leituras, dança, pernas e olhos atentos, generosidade, responsabilidade, muita responsabilidade com a arte, com a vida, com o tempo, das pessoas, deles, do teatro, amor, dedicação, compreensão, garra, ousadia, muita fé! É Teatro expressionista! Precisão e poesia nos movimentos. Os segredos das relações esboçados em gestos que conversam e dizem escancaradamente a dor de cada um, palavras que não podem ser ditas e que foram todas, cada uma delas, imaginadas pelo autor. Jô Bilac é um cara jovem, simpático, doce e discretamente genial, digo assim pq sentado numa mesa de bar, ele é um cara aparentemente comum, não tem um tipo esquisito, nem usa roupas exóticas, não faz aquele estilo que se imagina de artista louco, genial e tudo mais que um grande artista deve ser, mas não necessariamente aparentar, ele é uma maravilha de surpresa! O texto já foi requisitado por jurados de um prêmio de arte para análise, pq não basta ouvir, nem ver, tem que ser lido também, é rico, delicioso, cheio de trama, malicioso, e com toda dor e neurose das personagens ainda consegue arrematar o prazer total do espectador com gargalhadas. Agora sobre o elenco: Carol Pismel como Vladine, minha idéia de futura Fernanda Montenegro. Paulo Verlings que me confunde com o sedutor às avessas, mimado, carente, misterioso de Matias. Julia Marini, outra maravilha de surpresa, forte, linda, bailarina do desespero de Bianca. E Diego Becker, bode, pode? Pode! Sutileza e maestria num papel tão surreal, do bode Nataniel. Animalização do homem ou humanização do animal? Diego é quem escolhe! Infinitas as considerações sobre esse espetáculo que tem a direção impecável de Vinicuis Arneiro, também jovem, discretamente brilhante e muito elegante! Acho que essa turma toda é uma maravilha de surpresa. São todos discretamente arrebatadores, juntos incendiando cenas.

Teatro da Cia dos Atores, na escadaria da Lapa, primeira casa à direita! as 20:00h de sab à segunda, 20 reais!

domingo, 22 de novembro de 2009

um poema perdido
como uma pílula desceu até meu estômago vazio e ali se achou
como quase tudo que mora dentro de mim vai crescendo
acordei hoje com essa coisa me doendo
me chamando pra trocar algumas palavras sobre nós
mas tá tudo tão embolado
e a massa que em mim fermenta a angústia não se aguenta
é escandalosa, de lua, tagarela, ciumenta!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

vai chupar um picolé! melhor coisa nesse calor...

aprendi a gostar de estar só, sozinha, desacompanhada, independente, livre, solta, solteira....sem coleira, sem chatice, sem falsa meiguice, sem cafonice, caretice e AMORZINHO É O CARALHO!

olha que lindo que escrevi pra vc... me esquecer:

o amor é importante, repousando numa estante
o amor é fundamental, mas longe do meu quintal
agora vambora!
vai brincar lá fora, vai!
se arranque daqui seu moleque, se arranque!
toma aqui essa moeda, seu merda!
vai chupar um picolé, seu mané!

Nú!!!!! Nó!!!!!!

NÓ!!! EXCLAMA MINHA GARGANTA APERTADA! NÃO É NÓ DE MINEIRO, NEM DE CARIOCA, É UM NÓ DE GENTE, EU SOU GENTE! EU TENHO UM NÓ NA MINHA GARGANTA! E NÃO POSSO GRITAR O QUE ME ENFURECE PQ PERDERIA O SENTIDO NUM MUNDO DE GENTE ESTRANHA. QUE FEIO! NÃO ADMITO NENHUMA GENTE QUE JÁ TENHA VIVIDO 30 ANOS E AINDA NÃO APRENDEU A TER DIGNIDADE. NÃO É HOMEM, NEM MULHER. É GENTE QUE NÃO TEM NADA A VER COM A MINHA GENTE. ESTOU CHEIA DE PRECONCEITOS! NÃO ME ESFORÇAREI PRA ENTENDER CERTAS ATITUDES QUE DE TÃO GROSSEIRAS NÃO ME PARECEM SEQUER COISA DE GENTE, DE GENTE DE VERDADE, DE GENTE GRANDE.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

PRA VC ou DÉBUT ou A MORTE

poupe o amor
pelo amor de Deus
se lembra daquele tempo?
um monstro feio o matou
devolve um pedaço?
comi as palavras que cortariam pra sempre a minha boca
na esperança de não torná-las reais, me esqueci que antes, bem antes do nome de cada uma delas, existe um equivalente em dor, em sensação, em noção, em idéia, bem vivos e nascentes no fundo de mim
erramos os caminhos confusos da longa distância, pegamos mãos erradas por aí
minha cabeça dói, o jogo do amor é labiríntico demais, tonta
tonta

terça-feira, 27 de outubro de 2009

- sabe, não estou me sentindo muito bem...
- isso é um bom sinal!
- como vc é otimista!
- sinal que vc está voltando!
- eu não sou uma deprimida!
- voltando pro mundo real!
- eu não estava fora dele!
- de qualquer forma eu ainda penso que é um bom sinal...
- acho que sei onde vc quer chegar...
- não é nada sério
- é muito sério!
- até deixar de ser
- hj mesmo deixou de ser
- o que aconteceu?
- tô morrendo de vergonha e culpa por causa de um sorriso falso que dei pra alguém mais cedo. na verdade com um sorriso eu contaminei várias pessoas ao mesmo tempo e por isso meu constrangimento está quase num nível insuportável. a cena se repete e eu me arrepio nas canelas, é possível?
- nas canelas! mas essas pessoas não se importam tanto, acredite!
- mas eu me importo! e não posso fazer nada com isso, eu sei. vai ser mais um entulho pra guardar na gaveta das merdas que faço.
- como vc é dramática! isso é tão bonito!
- posso te dizer qual é o seu problema?
- claro! até agora só falamos de vc...
- pois é! conhece aquela frase: pimenta nos olhos dos outro é refresco?
- nossa! nossa! caramba! vc está reagindo!
- esquece!
- vai lá... manda ver! eu quero saber o q vc entende de mim.
- não entendo porra nenhuma de porra nenhuma!
- calma, vamos tomar um porre?
- eu parei com isso. tem uma semana que eu não bebo nada.
- que besteira...
- tá bom, bora beber um pouco que tá mó calor mermo!
- outra coisa: é patético sorrir como vc fez hj. kkkkkkkk!
- filho da puta! um dia eu enfio uma câmera de video na tua cara e faço vc dar esse sorriso fácil, fácil, depois coloco no youtube!
- já sei! vc detestou o teste de hoje.
- não cheguei a detestar, mas saí com uma sensação escrota. pensando que o pior do ator é quando ele precisa mentir pra ele mesmo.
- não precisa ser um ator...
- ....mas já que vc é um ator, fica pior ainda, NÃO TEM DESCULPA!!!!
- fala baixo!
- eu quero saber onde eu perdi a minha cabeça!
- vc perdeu sua cabeça dentro dela mesma. mais uma que se encolhe nesse mundo de perdidos.
- isso foi uma tentativa de piada? vc quer me fazer rir, que fofo!!!!
- deixa disso, vc sabe que eu sei das coisas
- que coisas?
- vc sabe
- ai, não sei de porra nenhuma!
- tá bom eu tb não sei de porra nenhuma, cerveja ou vodka?
- cerveja
-ok
- concordamos?
- com o que?
- vc tb quer cerveja?
- sim, quero!
- deixa que eu pago hj, ta?
- fala sério!
- tô falando, hj eu posso, tinha cachê teste!
- uau! tá bom, amanhã eu pago então.
- fechado, mas amanhã eu quero saquê!
- maluca cara- de- pau!
- saúde, cara!
- saúde!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

com os dedos dormentes e a vista embaçada
misturo tudo o que vejo num canto que sobrou da mente cansada
é guerra! é sangue! é morte!
é instante!
desculpa a falta de sentido
é justamente isso que não posso ver contigo
alerta a lente desperta
aos poucos como quando os pés deixam de formigar
então voltam a andar
na nitidez que puderem por essas terras nada firmes
me levando ao seu encontro
tombo
levanto e
conto
escute bem
vem de dentro de você também
me olhe no seu espelho ao acordar para ver a saudade te ganhar

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

motor- novo corte!

meu sono dessa última noite parecia uma sessão da Maratona Odeon, com direito a muitos curtas, surpresas e overdose de cenas das mais fantásticas. em vários formatos e matrizes, atrizes, narizes, em cheiros, em preto e branco, enfim... o mais emocionante foi o filme em que eu encontro uma máquina de escrever antiga, uma olivetti preta, ou foi um caderno com folhas escuras de velhice? forço a memória e agora não tenho certeza, mas o caderno teria a capa marrom e as folhas quebradiças nas pontas, pois mesmo ainda não escritas mãos as tocaram uma vez procurando palavras e deixaram ali uma umidade ressecada. eu então ali, no sonho, diante do caderno ou da máquina começo a escrever uma história que não é minha. invento fatos mirabolantes e entre as minhas linhas de sangue quente tudo passa a correr mais rápido! mas é tão rápido que eu nem posso saber agora sobre o que era a história, só tenho clara a sensação. sentia muito prazer por ter voltado a escrever quando acordei assustada. foi o barulho do cortador de grama. um barulho de motor violento. um corte violento.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

cala a boca!!!

eu so acredito no tesao. o resto e sacanagem. sem acento e sem contestacao!

sábado, 19 de setembro de 2009

palavras que não sei dizer

na mesma quantidade de vezes que minhas pernas se cruzam numa corrida longa confundo até o seu nome com o meu e ouvindo solos de guitarras não sei mais que peso tem a sua mão, nem a cor dos seus olhos, escureceu pra mim o dia da vida. estou passando pelos tempos chegando perto do depois que não vem.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

SILÊNCIO

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

coisa que eu mais amo é o cinema
ontem vivi por ele, fui até o final do meu dia pq queria me lembrar de tudo o que estava me acontecendo, exatamente como acontecia, para escrever um roteiro
seria o melhor filme de separação de todos os tempos
o título já foi criado para uma peça, deveria se chamar Dois perdidos numa noite suja
na calçada suja, com as mãos sujas, bocas sujas
que falaram palavras sinceras
o amor é uma ponte que quebrou?
e se ele não é a ponte mas ela quebrou?
ele arruma um jeito de voar? ele vai por água abaixo de vez?
palavras de uma música que um anjo me cantou hj, dia seguinte
hj é só o dia seguinte e os próximos serão os próximos

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

últimas palavras antes de sair correndo: seja lá quem vc for eu te amei como se fosse uma pessoa tão próxima e tão conhecida que até achei que vc existia. essas palavras tolas são as únicas que me acontecem agora. a vida é uma loucura. não precisamos de leis, acordos, educação, ética, ciência nem das palavras. o que me move é o desespero de não querer me afundar sem saber onde. fui!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

filme de hoje:

cena 1:
acorda assustada, lava o rosto, come uma banana e se prepara pra correr (está se sentindo gorda, fraca e pálida. pensa em ir à praia, mas não confia no sol)
cena 2:
escuta jazz enquanto fixa os olhos nos números das calorias perdidas, não chega a 90 e está desesperada, segura firme nos braços do aparelho da academina, parece ter medo de fazer a coisa sair pela janela ou de desmaiar
cena 3:
alonga debaixo da água quente do banho, disfarça pra si mesma um choro, usa 4 sabonetes diferentes, mas hoje, só tinha o de lavar calcinha!
cena 4:
se lembra que não tem mais computador, dinheiro, namorado,carteira de motorista, de estudante, então gira a própria sorte quando enche o peito de ar e de uma certa coragem e vai pra luta
cena 5:
com a cara fechada e o resto todo do corpo caminha até um lugar que não tem mais utilidade, parece que esqueceu de lembrar, parece que ligou o automático e saiu da fábrica apertando parafusos no ar, parece que não importa mais o que é real
cena 6:
ainda na mesma calçada perto desse tal lugar que não tem mais importância, ela cruza com um senhor que faz sinal de oi com satisfação e simpatia, sabe que não o conhece, mas retribui, quando se aproxima mais ele estende a mão. ela dá a sua mão pronta pra dizer que sinceramente não o reconhece, então ele pergunta sorrindo: VOCÊ GOSTA DE PASSEAR? o ódio do mundo enfim tomou conta dela que disse NÃO!
cena 7:
chega no tal lugar e vai direto ao banheiro para lavar as mãos, no tempo de cantar duas vezes o PARABÉNS PRA VOCÊ, ela tinha acabado de ler uma entrevista sobre o último filme do Woody Allen no qual um dos personagens acredita ser esse o tempo ideal para se livrar de todas as bactérias e afins
cena 8:
faz cara de quem está indo resolver algo sério, segura uma pasta preta, cheia de documentos e protocolos em branco.
as próximas cenas não devem ter acontecido, pois durante um tempo ela esteve no tal não-lugar sem importância
última cena:
sai do teatro com uma música na cabeça: PARECE FÁCIL, MAS É DIFÍCIL, UM BELO DIA APRENDERÁS! ÁS, ÁS! viu um ator de 25 anos de idade que nunca tinha cantado roubar a cena de um musical com elenco numeroso em talentos. o nome dele é RODRIGO PANDOLFO e ela não o inveja, ela o ama e se assusta com esse ator invisível, pq ele é a imaginação do autor em pessoa! ÁS ÁS! parece fácil, talvez pra ele seja, que confusão! APLAUSOS! e ela vai dormir.
FIM